O Big Brother Brasil é um ataque direcionado contra a família brasileira. O programa que, amparado por poderes econômicos fortes,se perpetua virando tradição nessa época do ano, vende um estilo de vida que agride a ordem de um lar, agride valores como a fidelidade, a tolerância, o respeito mútuo, o reconhecimento da autoridade.
Instalado em horário nobre, no principal canal de televisão do país, o BBB invade a privacidade dos lares e divulgado massivamente em toda a programação, até em outros canais, e pela internet, torna-se praticamente inevitável e portanto, pode ser considerado um abuso.
É preciso considerar que a maioria das pessoas recebe a mensagem passada pelo programa sem filtros, sem reflexão clara sobre os objetivos de uma exposição tão contundente de excessos. As pessoas não vão além e não pensam nos motivos de aquelas pessoas se submeterem ao confinamento e à exposição.
Quem define os participantes, quem seleciona e forma o grupo que se dispõe a viver confinado naquela casa e em constante exposição, não está preocupado em garantir representatividade da sociedade. Na verdade, a busca é por pessoas que ambicionam dinheiro fácil e fama. A maioria só ambiciona fama mesmo, tornar-se celebridade sem feito nenhum. É isso que os mantém motivados e capazes de qualquer coisa, capazes de trair, mentir, manipular, capazes de se envolverem em promiscuidade explícita, à frente de câmeras.
Ao assistir o BBB, o brasileiro está vendo uma guerra entre gente disposta a tudo para aparecer, para seduzir. Aquilo não é comportamento humano padrão, como a tv insiste em vender. Não é o confinamento que deturpa o caráter do participante. Colocado dessa forma, o programa veicula a mentira de que não adianta ser honesto, não adianta ser sincero, não adianta ser fiel, porque ninguém é.
O BBB concentra a podridão dos comportamentos e o pior é que se coloca como “padrão” para gerações que estão se formando e vão constituir nossa sociedade.
No mínimo, podemos definir o programa como uma perda de tempo, já que é impossível ter qualquer aproveitamento. O BBB é uma agressão à inteligência já que não transmite conteúdo nenhum e ainda exibe um festival de sandices e absurdos. E aquelas pessoas que lá se encontram, em vez de serem vistas e observadas como as pessoas que são, passam a ser idealizadas, idolatradas, consideradas acima da média e admiradas.
O BBB não é só anticultural, mas é um instrumento que mascara os relacionamentos sociais. De repente, todos são amigos eternos na casa, amizade que vai se dissolvendo no jogo de interesses. As relações no Big Brother são baixas e de uma imoralidade grotesca. Fofocas, intrigas, subversões, porfias, tudo o que é desleal é cultivado no programa. E é isso que é ensinado aos jovens fãs do programa. Como não esperar que uma geração inteira se influencie com isso e eleja a baixeza como prática de vida? Como não antever que brasileiros e brasileiras em processo de formação agora, entenderão que na vida o sucesso vale tudo e que, vence aquele que manipular melhor a opinião dos outros.
Nos EUA, o país que desenvolveu a fórmula do BBB, Reality Shows são exibidos, mas com alguns critérios. Não estão em qualquer canal e, principalmente, não estão em qualquer horário. Em outras palavras, as famílias tem como se defender, os pais tem como controlar o acesso. A exibição do programa não é tão invasiva como se vê no Brasil.
No Brasil, precisávamos que a população fosse melhor educada e mais bem preparada para se cercar de defesas contra a divulgação pesada da mensagem de que tudo é aceitável para se tornar rico e famoso. Do jeito que está, temos uma sociedade muito vulnerável e o BBB é um dos agentes de deformação do futuro desse país.
A esperança é de que, de alguma forma, as vozes que se levantam para esclarecer, para alertar sobre os efeitos nefastos desse tipo de programação, obtenham algum sucesso e, talvez aos poucos, o próprio público do reality reaja e torne-se mais seletivo. Programas como o BBB duram mais de uma década por causa do IBOPE, por causa da medição da audiência. É a audiência que pode determinar uma mudança na qualidade do que é veiculado na TV Brasileira. Em países desenvolvidos, de população educada, a programação das emissoras segue um padrão diferenciado, que preza a cultura, a informação de qualidade, o debate de ideias e projetos. Há espaço para conteúdo e profundidade, há espaço para que as pessoas alimentem seu intelecto. Um dia, quem sabe, poderemos ter acesso a isso nos canais abertos. Cumpre ao brasileira reconhecer aquilo que lhe é benéfico e rejeitar o que lhe faz mal.
César Augusto Machado de Sousa é Apóstolo, Escritor, Radialista. E-mail apostolo@fontedavida.com.br

